Análise de Filmes #01 – Ernest & Celestine (2012)




Olá para vocês, leitores do Fênix no Sekai. Eu sou o Diego Felipe e estou fazendo minha primeira análise de filmes para o blog. Como já havia falado na apresentação faria críticas a variados tipos de filme. Bem, sem mais delongas vou falar sobre o primeiro filme que vou analisar: a animação francesa Ernest & Celestine. O filme é adaptado na série de livros homônima publicada pela autora e ilustradora belga Gabrielle Vincent.


Ficha Técnica

Diretores: Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner.
Produtores: Didier Brunner, Henri Magalon e Vincent Tavier
Roteiro: Daniel Pennac
Duração: 79 minutos.
País: França

A História

A trama mostra dois tipos de
sociedades antagônicas: a sociedade dos ursos, que fica na superfície, e a
sociedade dos ratos, que fica na região subterrânea. Enquanto os ursos
consideram os ratos seres abomináveis os mesmos ratos consideram os ursos seres
monstruosos e cruéis.
Celestine
Celestine é uma jovem
ratinha órfã que adora desenhar. Desde pequena ela ouve histórias que retratam
grotescamente os ursos mas ela tem dúvidas quanto à veracidade disso. Ela é
obrigada a estudar odontologia e a coletar os dentes dos filhotes de urso, que
acabam por ser essenciais para o desenvolvimento da sociedade dos ratos.
Ernest
Em paralelo a isso está
Ernest, um urso grandalhão e solitário que para se sustentar vai às ruas para
cantarolar, fazer palhaçadas e tocar vários instrumentos ao mesmo tempo, tudo
isso esperando que lhe deem um trocados. Como só isso não é o suficiente para
se sustentar ele também tenta roubar comida de lojas e armazéns.

A grande dupla do filme: uma amizade improvável
Um dia Celestine e Ernest
acabam por se encontrar de forma inusitada e, após uma troca de favores, ambos
se tornam amigos. Mas um incidente faz com que a amizade deles seja descoberta
e eles terão que enfrentar a repressão de suas respectivas sociedades.

Trailer em lusitano do filme

A
Análise

Ernest
& Celestine
acaba sendo um filme muito simpático e
carismático, capaz de divertir o público por sua trama, que embora leve, possui
críticas profundas à intolerância e às formas de preconceito, o que pode ser diretamente
notado pela repressão das duas sociedades à amizade do urso e da ratinha, que
passam a ser marginalizados (embora já não fossem bem-vistos antes por suas
respectivas sociedades).
O desenvolvimento da amizade
entre Ernest e Celestine é muito cativante, ainda mais porque mesmo tendo desafiado
a visão preconceituosa da sociedade eles aos poucos vão ganhando mais a
confiança um do outro. Embora histórias de amizade em animações já sejam temas
muito bem explorados ao longo da história do cinema, Ernest & Celestine
consegue escapar de situações clichês, isto é, investe bem em cenas de drama e
comédia, sempre havendo equilíbrio entre as situações.
No entanto poderia ser um pouco melhor com relação ao foco em personagens coadjuvantes, como o dentista e a zeladora do orfanato. Mesmo que muitos até ajudem na compreensão da história talvez um maior desenvolvimento pudesse ser eficiente, ainda mais porque o filme se sustenta nos dois personagens principais. Além disso também poderia haver um foco maior na obtenção dos dentes dos filhotes de urso, pois essa informação acaba perdendo a relevância em certo ponto da trama.
O filme conta com muitas cenas cativantes, como a da primeira vez que Ernest e Celestine se encontram, ou mesmo a que a dupla começa a se divertir na casa do Ernest, com o urso se vestindo de palhaço e fazendo gracinhas pra divertir a ratinha.
A animação é um prato cheio
para os olhos. Há muita qualidade e sofisticação no aspecto visual do filme,
principalmente nas cenas mais fantasiosas. Vale ressaltar que a animação é
feita de forma mais tradicional, com menor uso de animação computadorizada.
Esse fator funcionou perfeitamente para manter o clima singelo e puro do filme.
A trilha sonora instrumental, composta por Vincent Courtois também é bem confortável de se ouvir, além da bela música tema do filme, Chanson d’Ernest et Célestine, por Thomas
Fersen:
Em suma, Ernest &
Celestine é um filme divertido e simpático e passa uma bela mensagem sobre como
abdicar da intolerância e dos preconceitos é essencial para uma convivência
mais pacífica e compreensiva e também menos equivocada de diferentes culturas e
crenças.

Curiosidades

– Ernest & Celestine
chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2014, mas perdeu
para Frozen – Uma Aventura Congelante
(em Portugal Frozen – O Reino do Gelo).
– O filme, após ser
licenciado para os cinemas dos Estados unidos, contou com uma dublagem em
língua americana cheia de atores de peso: Mackenzie Foy como Celestine, Forest
Whitaker como Ernest, Paul Giamatti como o juz rato, Jeffrey Wright como o juiz
urso, William H. Macy como o dentista, além da icônica atriz Lauren Bacall como
a zeladora rabugenta do orfanato.
– Aliás Ernest &
Celestine foi o último trabalho de Lauren Bacall. Ela faleceria em 12 de agosto
de 2014, aos 89 anos.
– O orçamento do filme foi de de 9,6 milhões de euros. Já o faturamento (em
dólares) foi de 5,6 milhões de euros. Ou seja, o filme fracassou nas bilheterias.

Bem, pessoal, essa foi a
minha primeira análise. Espero que tenham gostado. Até a próxima.