Análise de Filmes #04 – Divertida Mente (2015)

Pôster brasileiro de Divertida Mente

Olá
para vocês, leitores do Fênix no Sekai. Aqui é o Diego Felipe e esta é mais uma
matéria sobre filmes… Era pra eu ter feito ela pra semana passada mas só pude
fazê-la essa semana. E estive refletindo bastante e acho que vou voltar a
deixar as análises de filme variadas, sem maior foco em filmes orientais.
E
dessa vez vou fazer a análise de um filme que ainda está nos cinemas, pessoal:
Divertida Mente, o décimo quarto filme da Pixar Animation Studios. .

Ficha Técnica

Diretor:
Pete Docter, Ronnie del Carmen (co-diretor)
Produtor:
Jonas Rivera
Roteiro: Pete
Docter, Ronnie del Carmen, Meg LeFauve e Josh Cooley
Estúdio: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures
Duração: 94
minutos
País: EUA

A
História

O
conceito do filme é que cada pessoa tem sua mente, suas memórias e suas ações
controladas por cinco emoções: Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva. Essas
emoções controlam cada um dentro de uma sala de controle dentro do cérebro. E a
trama aborda as respectivas emoções em Riley Andersen, uma garota de 11 anos
que leva uma vida feliz com seus pais em Minnesota.
Da esquerda para a direita: Raiva, Medo, Alegria, Nojinho e Tristeza
A
mente de Riley funciona graças às suas memórias, retratadas no filme como bolas
que rolam por um circuito até serem armazenadas. Alegria é a emoção que mais
comanda a cabeça de Riley (por isso todas as memórias-base de Riley são
predominadas pela Alegria) e, ainda que prefira influenciar a maior parte das
ações da garota, conta com um valorizado apoio de Medo, Nojinho e Raiva.
A garota Riley Andersen, de 11 anos
No
entanto o mesmo não pode se dizer da Tristeza, que detém o mínimo de controle
possível das ações de Riley por causa da incompreensão de sua relevância por
parte das outras emoções. E também pelo temor das mesmas de que Tristeza afete
a felicidade da menina, principalmente de Alegria.
Riley
se muda de Minnesota para San Francisco devido ao trabalho do pai dela. Ao
chegar lá a garota começa a ter dificuldades para se adaptar e em seu primeiro
dia de aula acontece um incidente na sala de controle de sua mente fazendo com
que Alegria e Tristeza acabem fora da sala de controle e Riley passa a
vivenciar momentos conflituosos.
As cinco emoções na sala de controle
Agora
Alegria e Tristeza terão um longo percurso a fazer para voltar à sala de
controle e Riley começa a passar por graves conflitos emocionais devido às
dificuldades de Nojinho, Raiva e Medo em controlar sua mente. Para voltarem para
a sala de controle, Alegria e Tristeza contarão com o apoio de Bing Bong, um
esquecido amigo imaginário de Riley.

A
Análise

Depois
de chegar ao bilhão de dólares em 2010 com Toy Story 3 (que foi até o
lançamento de Frozen – Uma Aventura Congelante a maior bilheteria em animação
da história do cinema) a Pixar passou por uma frase de diminuição em seu nível
de criatividade. Carros 2 não foi um sucesso de crítica (apesar de boa
bilheteria), Valente ficou aquém dos demais filmes dos padrões do estúdio e
Universidade dos Monstros, embora elogiado, não é uma prequência à altura de
Monstros S.A.
Riley com seus pais
A
Pixar apostou suas fichas em Divertida Mente, de Pete Docter (mesmo diretor de
Monstros S.A. e Up – Altas Aventuras) para uma volta triunfal após não ter
lançado nenhum filme em 2014. E a aposta se mostra certeira, como um filme que
foi aclamado pela crítica, faz bonito nas bilheterias e mostra um enredo com
base infantil, mas desenvolvimento maduro, interessante e reflexivo.
A
premissa é bem executada, mostrando em atitudes simples como as cinco emoções
costumam atuar na menina Riley ou interagir entre si, principalmente em
situações simples. Por exemplo, quando Riley é apenas um bebê e o pai a
alimenta com brócolis, a Nojinho a faz repudiar o vegetal; e quando o pai ameaça
deixá-la sem sobremesa é a vez de Raiva se irritar e fazê-la abrir o berreiro; Medo
evita que ela se machuque tropeçando em um fio enquanto corre pela casa e
idealiza os medos e temores que ela sente; e Alegria é responsável por
propiciar diversos momentos de felicidade à Riley, como ao jogar hóquei, ao
passear com os pais, ao brincar pela casa, etc. 
São
momentos e funções aparentemente simples, mas que explicam com precisão como
quatro dessas cinco emoções influenciam e controlam Riley. Mas com relação à
Tristeza… 
As demais emoções não entendem sua utilidade. Aliás ela própria
parece não conseguir interagir e comandar Riley de uma forma que as demais
emoções concordem plenamente. Mas ao longo do filme ela encontrará o motivo de sua importância e Alegria poderá compreender que Tristeza também é uma emoção importante na vida de Riley.
Raiva surtando
Aliás, o desenvolvimento de Riley e sua família é agradável. Isso porquê a garota não é uma garota de interesses totalmente clichês, tanto que sua atividade de lazer favorita é o hóquei, um esporte tradicional em sua família. E seus pais são apresentados de forma amorosa e acolhedora, mas também tentam encarar não só problemas pessoais (representados no caso pelo trabalho do pai e pelo atraso das entregas do caminhão de mudança) como tentar entender a mudança de personalidade da filha.
Alegria e Tristeza viajando pelo trem do pensamento
Em
aspectos visuais o filme agrada pelos cenários e personagens muito bem colorizados
e idealizados, como as ilhas refletidas pelas memórias-base. Inclusive essas
ilhas são tão importantes para o funcionamento adequado da mente de Riley que
após a pane no sistema de controle e o apagão dessas ilhas é daí que a vida de
Riley torna-se conflituosa.
Além
das cinco emoções e de Riley, é impossível não citar o carismático personagem Bing
Bong, o esquecido amigo imaginário de Riley. Seu desenvolvimento é muito
interessante: é um personagem com características infantis (suas lágrimas são na verdade balas, sua aparência é uma mistura de um elefante, golfinho e um gato), mas com uma certa
carga dramática por ter sido esquecido e por ver suas esperanças de ser
lembrado por Riley ficarem cada vez mais remotas.
Bing Bong
O
filme, embora bem roteirizado e idealizado, possui um pequeno contraponto, que
é justamente sua complexidade. Há lições e referências que muitas vezes fazem
mais sentido para o público mais velho do que para o público infantil, como
quando Bing Bong derruba duas caixas denominadas “fatos” e “opiniões” e diz que
o conteúdo das caixas sempre é confundido. Ou na cena do jantar em que são
mostradas as emoções do pai e da mãe de Riley.
As emoções da mãe…
… e do pai
Outro
ponto maduro é a forma como a depressão (palavra nunca citada no filme como já
ressaltaram muitas outras análises) é demonstrada em Riley. As ações e atitudes
vão ficando cada vez mais bruscas e há uma grande perda de ânimo. Abordar esse
problema em uma criança é desafiador demais para um filme infantil, embora Divertida Mente o faça de forma
eficiente e esse tema não seja inédito (já foi abordado, por exemplo, em O Serviço de Entregas da Kiki, de Hayao
Miyazaki).
O
filme também apresenta a abordagem do controle da mente de alguns outros
personagens aleatórios, sendo o exemplo mais memorável o dos pais de Riley. E é
interessante notar que, ao contrário da sala de controle da mente da menina, as
emoções dos pais são mais coordenadas. Por exemplo, o Raiva da cabeça do pai é
menos fumegante e estressado e mais calmo, assim como o Medo é um pouco mais
destemido.
A
trilha sonora é composta por Michael Giacchino, que já trabalhou para a Pixar
em Os Incríveis, Ratatouille (recebeu uma indicação ao Oscar pela trilha desse filme),
Up – Altas Aventuras (venceu um Oscar
pela trilha desse) e Carros 2. São
músicas instrumentais que colaboram a situar o público nas situações e
contextos das cenas e são bonitas de se ouvir. Abaixo o vídeo com a trilha completa:
Bem,
pessoal, desculpe a imensa demora para publicar a matéria. Espero que tenham se
divertido lendo. Bem, até a próxima matéria. Um
abraço. :v

Fontes Bibliográficas: