Low(HQ): 1 a 3

Quão
baixo um ser humano é capaz de chegar? E o quanto ele é capaz de se reerguer?

Low
é uma HQ americana publicada pela editora Image Comics, de autoria de Rick
Remender(Roteiro) e Greg tocchini(Arte), se encontra atualmente com 10 capítulos publicados. Só explicando que
essa análise será feita com base nos três primeiros capítulos então espere por
mais análises futuramente sobre o resto da história.

A
premissa de Low é interessante, se trata de um tipo de Sci-fi pós-apocalíptico
onde a humanidade devido a expansão do sol teve de deixar a superfície da terra
e se refugiar nas profundezas do oceano(sim, o titulo é bem representativo)
para se proteger da radiação, isolados em cidades submarinas num mundo tóxico a
falta de oxigênio leva a raça a humana a um caminho sem volta rumo ao seu
iminente fim. Clichê, eu sei, mas não deixa de ser interessante e deixe-me
dizer que a premissa básica é muito bem aproveitada nesses três primeiros
capítulos, gerando um arco muito bem construído em torno da história trágica da
família Caine. Sobre o primeiro capitulo devo dizer que o que mais me incomodou
inicialmente foi a arte que de principio me causou certa estranheza por parecer
muitas vezes mal feita e sem acabamento, mas isso como dito foi só um
estranhamento inicial que se dissipou com o tempo se tornando irrelevante do
segundo capitulo em diante quando já estava acostumado com ela(mais tarde no
terceiro capitulo eu já ficava vislumbrado com ela XD), ainda falando do inicio
da história, ele é bem brutal, o que demonstra de certa forma como a trama será
levada em todo o resto da história pois em Low a realidade por mais que seja
fantasiosa(paradoxo?) não deixa de ser cruel, quando vemos logo no inicio nossa
família de protagonistas sendo separada e sofrendo uma enorme perda com a morte
de seu patriarca(pois não, ele não será o protagonista)  temos uma pequena ideia do que Low tem
reservado para nós, pois coisas muito piores ainda virão, acredite. 

O
segundo capitulo se trata da conseqüência do que ocorreu no primeiro, somos
apresentados àqueles que parecem ser os protagonistas de destaque da série,
estes são Stel que tem papel importantíssimo dentro da trama desde o primeiro
capitulo, e Marik que teve uma participação singela no primeiro capitulo para
agora ter um enfoque maior, vemos então como está a situação deles depois de 10
anos do ocorrido, somos apresentados a uma Stel abatida e ainda sofrendo por
sua perda e um Marik em uma situação muito representativa para o contexto em
que se encontra, Marik se tornou uma espécie de policial e já nos é apresentado
em uma situação deplorável, se drogando com uma prostituta e mais tarde a
matando.

Entendemos como a perda do pai e das irmãs o afetou negativamente pois
é deixado implícito que Marik é corrupto e 
sua vida é vazia e sem perspectiva, estado que condiz com o do domo de Salus(a
cidade submarina onde vivem nossos protagonistas) que tem pouco tempo de
oxigênio limpo restando e se encontra em estado de semi-anarquia. Porém é em
Stel que reside a contrapartida desta situação, de seu estado inicial de
abatimento ela neste capitulo passa a ter uma atitude positivista, se armando de
ensinamentos da quantomologia,(Religião dentro da obra que prega a idéia de
esperança)essa atitude se mostra deverás representativa e com uma grande mensagem
dentro do contexto da obra, a atitude ao final se mostra recompensada com a
volta de  uma sonda com a possível
localização de um mundo habitável onde a humanidade poderia se refugiar,
entretanto ao mesmo tempo vemos a prisão de Marik que se vê encurralado pelos
seus crimes numa sequencia muito bem construída intercalando a mensagem
positivista recebida da mãe com sua situação desesperadora.

Clique na imagem se quiser ampliar.

Ao
começar o terceiro capitulo já somos agraciados novamente com uma incrível
sequência, se trata da visita de Stel ao senado de Salus, que se encontra no
meio de uma ensandecida orgia, a bela ilustração da página dupla aliada a
poética fala de Stel trazem uma experiência muito boa, uma mistura de choque e
relaxamento, algo difícil de definir e que creio não ter conseguido, mas graças
a isso é fácil ter o sentimento de imersão entendendo a situação de Salus
e(consequentemente) da humanidade naquele universo. Após Stel conseguir o que
foi procurar no senado, um meio de ir atrás da sonda que se chocou contra a
terra e que agora está na superfície do planeta, nos é mostrado uma tentativa
de suicídio por parte de Marik em sua cela.

Marik esta enclausurado, pesaroso
por seus crimes e suas péssimas decisões na vida, nada mais viável que o
suicídio para se livrar de seu infortúnio, sua tentativa de suicídio no entanto
é frustrada por sua mãe que planeja levá-lo consigo atrás da sonda, ao acordar
dentro de um submarino Marik se põe a discutir com Stel á respeito de sua
situação e como seria fútil recorrer a uma pífia esperança de salvação e
redenção, é então que ocorre o grande momento deste arco, o dialogo entre Stel
e Marik que traz uma enorme bagagem de significados e mensagens para se
refletir, tudo muito bem casado com a belíssima arte repleta de paisagens
submarinas fantasiosas e representativas. Este diálogo não é uma peça única que
funciona separadamente, porém ele age como uma ferramenta incrível para o
desfecho dessa fase da história, ele funciona bem porque pode ser embasado com
tudo que ocorreu até agora, o otimismo de Stel, a depressão de Marik, tudo
culmina naquele momento os ideais e sentimentos de ambos são expostos e postos
a prova, poderia ser uma simples discussão familiar mas existe toda uma
alegoria de significados que se dão por conta do contexto da história, que é
usado, como eu disse, com maestria aqui. A situação emergencial da raça humana
é muito bem abordada em seus dois pontos de vista, o da maioria em que se encontra
Marik que escolheu aceitar o fim caindo em depravação, e a minoria representada
por Stel que ousa ter esperança ao se apegar à religião, o discurso de Stel que
se casa com excelência à belíssima arte dá contornos lindos as páginas da HQ, é
visualmente lindo ver as sequências finais mas oque torna tudo melhor é a
representatividade da arte casando perfeitamente com o desenvolvimento do roteiro,
algo muito bom de se ver, bem chega de elogios, mas entendam que é muito bom!

Low
não é o tipo de história que se ama logo de cara, mas se for dada uma chance a
leitura pode se tornar uma experiência recompensante, repleta de ótimos
momentos. Como dito, conta com um ótimo uso de sua premissa, trabalha muito bem
seus personagens e melhor de tudo, complementa todos os seus aspectos com
maestria. Esses três primeiros capítulos juntos formam uma saga de superação
sem igual.

“Por
mais baixo que você esteja… só há lugares para subir.Mas você deve se deixa
ir.” – Stel Caine.