Meruem : Instinto vs Razão.

Olá, aqui quem vos escreve é
Lyonel e este é meu primeiro post, espero que curtam. Neste texto tentarei
desenvolver uma de minhas diversas teorias sobre uma das minhas obras favoritas
desses maravilhosos nichos do entretenimento nipônico conhecidos como animes e
mangás. Como já devem ter percebido estou falando de HunterxHunter,  mangá publicado na Weekly shonen jump que
conta com duas adaptações em anime, a primeira produzida pela Nippon animation
em 1999 e a mais recente produzida pela Madhouse em 2011. Sobre a obra em
questão de mim só virão elogios, então não vou me estender muito ao falar sobre
a mesma em geral, em vez disso tentarei me focar em alguns aspectos específicos,
e como dito acima me aprofundar em algumas teorias pensadas por mim nos
momentos de ócio. 

Assim como o titulo sugere o
assunto da vez é Meruem, que na minha (nada) humilde opinião é um dos mais
incríveis e carismáticos personagens da obra, sendo considerado por muitos o
próprio protagonista do arco ao qual pertence, eu particularmente o considero
um vilão, mas não é esse o assunto que eu queria propor aqui então deixemos a
discussão para outro possível  texto. Comecemos
então com uma pequena apresentação do personagem e de seu background.

As chimera ants são uma espécie
que se reproduz a partir de phagogenese(ou, fagogenese), um termo fictício que
designa o ato de devorar e reproduzir, basicamente a rainha devora diferentes
espécies assim adicionando características das mesmas em suas crias gerando
chimeras. Nenhuma geração de formigas é igual a outra pois a espécie esta em
constante evolução sendo o  rei o ápice
dessa evolução e o indivíduo responsável por deixar o ninho e começar outras
colônias. A grande sacada da phagogenese e o gatilho para todo o conflito do
arco é que as ditas formigas começam a devorar humanos e adicionar
características humanas em suas crias, no caso a habilidade do raciocínio. Vendo
que os humanos são uma fonte de nutrientes e características mais úteis à suas
crias do que outras espécies a rainha passa a devorar apenas humanos, é a
partir disso que nasce(literalmente) o tema dessa discussão, Meruem, o rei.

 

O rei em todo seu esplendor.
Meruem, inicialmente apresenta
um típico comportamento de vilão darwinista, demonstrando por diversas vezes
seus sentimentos de superioridade e seu desprezo por espécies tidas como
inferiores. No decorrer da trama Meruem ocupa um palácio e junto de sua guarda
real prepara um plano de dominação mundial através da força(tudo muito clichê) entretanto
o plano demoraria para ser concretizado e como passatempo ele começa a jogar
jogos de tabuleiro com campeões nacionais, sempre demonstrando sua
superioridade ao derrotá-los em poucas partidas mesmo tendo acabado de aprender
as regras do jogo. É assim que ele conhece komugi e passa pelo que pode ser
interpretado como uma desconstrução de personagem ao se ver incapaz de derrotar
uma humana cega, doente, inferior. Ali todos os seus ideais e certezas são
postos em cheque e ele se vê em meio a uma crise de identidade que o leva a
questionar sua existência e seus propósitos, o fazendo mudar, mais tarde se
apaixonando pela pessoa que lhe mudou.
Meruem e Komugi, #eushippoforte
O que venho defender aqui é o
fato da relação entre Meruem e Komugi não ser uma desconstrução, mas sim uma
construção de personagem, irei me explicar. Meruem é primeiramente um
personagem extremamente racional, visto a rainha usar somente os melhores genes
das melhores espécies na sua concepção, sendo a principal delas a humana. E
qual é a principal característica humana citada anteriormente? A habilidade de
raciocínio! Ampliada ao máximo em Meruem, o tornando um gênio nato. A razão é
algo extremamente importante na construção do personagem, seu nome significa “A
luz que tudo ilumina”. A luz é um termo comumente associada à razão(vide
iluminismo) tudo no comportamento e nas atitudes de Meruem exala um ar de
racionalidade, desde seu comportamento frio e objetivo, até seu desejo de
dominação mundial que parte do sentimento de superioridade, tudo advém da
razão, afinal, o próprio humano se sente superior aos outros animais por sua
capacidade de raciocínio. Exemplifico essa afirmação com a passagem em que
Meruem compara os humanos com porcos ou vacas em relação a ele. Entendido a importância
da razão na construção do personagem falemos agora de outro aspecto importante
do mesmo, o instinto.
Lado instintivo?
Segundo a Wikipédia, instintos
são “predisposições inatas para a realização de determinadas sequências de
ações.” agora, lembram-se de qual o papel do rei na sociedade das chimera
ants? Deixar a colônia natal e começar outra(s). É por isso que o rei é mais
evoluído e consequentemente mais forte que as outras formigas, pois seu
trabalho é enfrentar ambientes hostis a procura de uma fêmea com a qual possa
acasalar gerando uma nova rainha e assim perpetuar a espécie. Isso mesmo, o
principal instinto do rei o manda acasalar! Entretanto, graças a sua altíssima
capacidade de raciocínio Meruem tende a ignorar seus instintos naturais se
guiando desde seu nascimento pelo pensamento lógico. Isso somente até seu
encontro com Komugi é claro, sendo ela a primeira fêmea com a qual ele teve contato
prolongado, era mais do que natural seus instintos aflorarem, gerando assim
todo o conflito interno presente no personagem.
Lado racional?

Mesmo que instinto e razão
sejam conceitos interligados por elos profundos, é dada a natureza dos dois que
se rejeitam e nunca deixam de ser conflitantes, pois à razão compete a tarefa
de subjugar o instinto levando o homem a tomar decisões que desafiam o natural,
o animal, afastando-o daquilo que julga como inferior. Porém, nem mesmo ao
homem com seus milhões de anos de evolução foi possível se livrar de seus
instintos naturais, sendo levado por muitas vezes a tomar decisões e praticas
ilógicas baseadas em suas emoções. Afinal o que são sentimentos como amor,
ódio, inveja se não predisposições inatas presentes nos seres desde sempre,
pois não se ensina alguém a amar assim como não se ensina a odiar, pode-se
dizer que a própria reprodução humana se dá por um meio instintivo, não se
calcula a paixão, o raciocínio não controla o desejo sexual, pois ele é animal,
instintivo, ilógico.

Esse conflito instinto VS
razão é tudo que define o personagem tema desse texto, uma cena a ser citada é
aquela em que Meruem defende komugi do ataque de uma águia(que estava dentro do
quarto! WTF?) mesmo tendo ido lá com o intuito de matá-la, pois essa era uma
conclusão lógica ao qual ele havia chegado, naquele momento temos o maior
exemplo desse conflito interno sendo posto em cena, quando desafiando a razão
ele é levado pelos instintos e tem uma atitude protetora com relação a seu
possível affair, seu lado racional  é
desfiado o tornando incapaz de entender suas próprias ações. 
O instinto supera a razão.

Assim temos Meruem que devido
a sua existência contraditória proporcionada pela phagogenese se vê em um
dilema profundo, que remete a um conflito primordialmente humano, tão humano
que chega a ser cômico, sendo ele supostamente o monstro da história.
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 Então foi isso queridos leitores, espero ter conseguido convence-los de meu ponto de vista, e caso não estejam convencidos, saibam que tem a liberdade de comentar e dar sua opinião, e que isto é não só bem vindo como também ansiado pelo blogueiro que vos escreve 😀