Michiko To Hatchin

Uma história sobre maternidade, vulgaridade e realidade com direito a muitos tiroteios, maus tratos infantis e road-trips…………………………………………………………………………………………………pelo Brasil.
 Quando descobri sobre a existência de Michiko to Hatchin me senti na obrigação de vê-lo imediatamente, não vou mentir, quase que exclusivamente por um simples fato, a história se passava no Brasil! Sim, no meu querido país tupiniquim! Agora, imagine como foi bom para min ver o anime sem esperar nada dele a não ser imagens e conceitos estereotipados de minha pátria dos quais eu pudesse zombar e encontrar uma história boa e até comovente sobre temas difíceis como o crime, a brutalidade do mundo real e inserido nisto, a família. Bem, se você já viu Michiko to Hatchin pode estar me condenando agora por dizer que a história se passa no Brasil, sendo mais honesto afirmar que ela tem lugar em um país fictício cuja cultura é inspirada em países sul-americanos, o que justifica certas disparidades que o anime trás em sua bagagem quanto à localização geográfica e cultural de sua trama, afinal não acontecem touradas no Brasil(pelo menos, não que eu saiba) mas a maior influência para o país fictício em questão vem claramente do Brasil, o que pode ser notado em seus arranjos linguísticos, por exemplo suas protagonistas se chamam Michiko Malandro e Hana Morenos, duas estranhas combinações de nomes em japonês( o que deve tornar mais fácil aceitação por parte do público japonês) e sobrenomes em português, casos de nomenclatura em português também podem ser observados em outros personagens e até mesmo nos nomes de cidades, até mesmo o dinheiro do anime, o Arca, é igual ao Real brasileiro. Ok Lyonel, o anime se passa significativamente no Brasil, mas o que ele tem de mais além disso? Muitas coisas.
 A história se inicia com a fuga de Michiko Malandro(uma criminosa perigosa) da cadeia de Diamandra, e com sua busca pelo amor de sua vida Hiroshi Morenos, que todos acreditam estar morto, em seu caminho ela se una a filha do casal Hana Morenos(Hatchin), que havia sido adotada e sofria abusos de sua família adotiva, então as duas partem em uma viagem através do Brasil (eu já me justifiquei acima) para encontrar Hiroshi, tendo que enfrentar a perseguição implacável da policia e se envolvendo em todo tipo de confusão com bandidos, organizações criminosas e problemas não resolvidos do passado de Michiko( que também envolvem bandidos e organizações criminosas), tudo isso tendo de enfrentar também a realidade nua e crua de um mundo hostil e cheio de imoralidade. 
 A primeira coisa que me chamou atenção em Michiko To Hatchin, fora a forte e inconfundível identidade visual que rende ao anime alguns pontos pela originalidade, foi a condição inicial em que nos é apresentada Hatchin, os maus tratos que ela sofria por parte dos pais e irmãos  são mostrados de forma bruta, sem eufemismos ou qualquer coisa do tipo, o sofrimento da garota é palpável a ponto de me causar certo desconforto ao assistir aquilo, algo raro de se acontecer já que geralmente eu tendo a gostar desse tipo de abuso físico e psicológico em uma história, isso creio eu, se deve não só ao fato da ótima atuação da dubladora de Hatchim(Suzuka ohgo) mas também da extrema humanização dos personagens dentro da história, suas ações e pensamentos são de certa forma extremamente realistas, mesmo que inseridas muitas vezes em situações completamente fantasiosas, gostaria de citar aqui a cena em que o pai adotivo de Hatchim a “compra” com os livros usados de sua filha mais velha, o pensamento de Hatchim naquela cena é incrivelmente triste por nos mostrar que ela não passa verdadeiramente de uma criança cuja mentalidade foi facilmente subornada por aqueles livros coloridos com os quais de outra forma ela não poderia nem sonhar, é realmente triste saber que mesmo aquela pequena fonte de alegria é o suficiente para fazê-la suprimir seu sofrimento e aguentar calada por mais tempo.

 Esta abordagem bruta não é algo exclusivo do inicio do anime, ela pode ser sentida no decorrer de toda a trama, são inúmeros os exemplos de situações onde pode-se notar um forte senso de realismo com relação as ações de personagens e até de criticas a problemas realmente presentes na sociedade brasileira, como a criminalidade excessiva e o tráfico infantil, não sei se esse tipo de abordagem já era planejado, mas o mais provável é que ela tenha sido introduzido no roteiro pela equipe após o contato com a cultura brasileira(que não poderia ser mais brutal), pois sim, várias cidades brasileiras foram visitadas pela staff para pesquisa. Vale citar que alguns elementos do anime parecem ter sido chupados diretamente de Cidade de  Deus, não que eu condene a produção por isso, pelo contrário, acho bom, demonstra que a pesquisa por parte da equipe para entender melhor como funciona o ambiente  a ser trabalhado e onde focar sua história foi bem feita, mas algumas coisas chegam a ser exageradas, como o personagem Satoshi Baptista, que é nada mais do que uma versão animada de Zé Pequeno, compartilhando com ele desde sua aparência até traços de sua personalidade e até seus conflitos em relação ao seu melhor amigo o “deixando” por uma mulher, cadê a originalidade?

Dadinho é o car*lho, meu nome agora é Satoshi Baptista p*rra!!

 Bem, fora o problema de plágio eu poderia citar outros pontos negativos do anime como o péssimo desenvolvimento de personagens secundários(Atsuko Jackson que o diga) mas em vez disso vou me focar naquilo que faz faz o anime ser realmente bom na minha opinião, o relacionamento entre as protagonistas. Michiko é uma mulher de gênio forte, independente, que leva a vida na malandragem, como sugere seu nome, ela é a típica visão estrangeira de uma mulher brasileira, negra, sedutora, portadora dos típicos trejeitos “calientes” das mulheres latinas, além disso, se mostra em diversas ocasiões infantil e sonhadora, já Hatchin é seu completo oposto, tímida, comportada e desconfiada, o tipo de personalidade que se desenvolve após uma infância de abusos, mostrando muitos vezes ser mais “pé no chão” do que Michiko.
 A relação entre as duas é muito bem construida, ambas tem um ótimo desenvolvimento de personagem lado a lado, cada uma aprende e amadurece com a outra, acho inclusive que este poderia ser dito como o tema central da obra, o amadurecimento, que é muito bem trabalhado nas protagonistas, Hatchim aprende com Michiko a ser mais crente e extrovertida, tendo em seu apoio emocional a chave para se livrar de seu passado sofrido, já Michiko aprende com Hatchim a ser mais responsável, tendo na figura da filha algo que deveria ser posto acima de todas as outras coisas, fazendo com no final abrisse mão de seu sonho idealizado de uma vida ao lado de seu amado Hiroshi(que claramente a deixou) e até mesmo de sua liberdade, tudo pelo bem de Hatchim.
 Então é isso, se você estiver disposto a ver um anime que apesar dos defeitos é muito mais do que apenas ua visão estereotipada do Brasil, contendo até mesmo criticas sociais latentes e que acima de tudo apresenta um ótimo desenvolvimento de personagens e em certos momentos chega a assustar co sua abordagem crua da “realidade”, sendo incrivelmente verossimilhante, Michito To Hatchim é para você.
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Só pra constar, algo que me esqueci de por no texto é que Michiko To Hatchim conta com uma interessante trilha sonora composta pelo músico brasileiro Kassin. Abaixo alguns exemplos de músicas do anime:

Mano do céu, essa música XD kkkkkkk.

Essa aqui é muito bonita, adorei o episódio em que ela está inserida.

Esta casou tão perfeitamente na série que não posso descrever, e ela é, como posso dizer…hum…tão Brasil. XD

É isso gente, não deixe de dar sua opinião sobre o texto ou sobre o anime(caso tenha visto) nos comentários, e não deixe de indicar o post e o blog para seus amigos, vizinhos, avós e amantes, até a próxima. o/